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Alysson Bestene escreve sobre cidades, pessoas e o clima no Acre

Conhecer as discussões internacionais sobre as mudanças climáticas e como nós vamos agir para mitigar os impactos dessas mudanças é um grande desafio.

Participei com o governador Gladson Cameli, pela primeira vez, da Semana do Clima de Nova York. O evento reúne líderes mundiais, instituições, e a sociedade civil para debater o cenário atual e o que devemos fazer no presente, e no futuro.

Os desafios de uma cidade são enormes. Enxergamos isso na nossa capital, Rio Branco, e nos demais municípios do estado, atingidos pelo evento extremo da enchente e agora por um período de seca severa.

No dia 4 de março de 2015, o Rio Acre atingiu a maior marca da história, 18,40 metros, na capital acreana. Este ano, Rio Branco vivenciou a terceira maior enchente, quando as águas subiram repentinamente em termos de alcance de cotas históricas. O manancial chegou ao nível de 17,72 metros, em 2 de abril, deixando milhares de pessoas desabrigadas e desalojadas.

Agora, enfrentamos um extremo de seca, outro evento climático que castiga a nossa população, o meio ambiente. A falta de chuvas tem causado uma crise hídrica preocupante na capital. O Acre, o Brasil, e o mundo, enfrentam um período de temperaturas elevadas e essa condição de seca intensa, acompanhada dessas temperaturas acima da média climatológica, são atribuídas ao fenômeno El Niño. Não podemos ficar parados, precisamos agir e unir forças.

A seca impacta ainda nas queimadas e no desmatamento que, mesmo em um período considerado crítico, o Estado, sob coordenação da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), e demais órgãos de Comando e Controle Ambiental, tem conseguido reduzir os números desde o início do ano em uma atuação árdua e conjunta.

Nas agendas em que participei, o que ouvi e que me fez refletir é a necessidade da adaptação, da resiliência, e, principalmente, de proteção das nossas florestas. Quem mais sofre com os impactos das mudanças climáticas são as pessoas economicamente mais vulneráveis, o que não é justo e requer atenção da gestão pública. Precisamos olhar por elas, trabalhar com um foco diferenciado e direcionado. Nossas crianças, adolescentes e idosos, são os que mais sofrem com essas mudanças do clima com problemas respiratórios.

Precisamos reconhecer as dificuldades e enfrentá-las com olhar atento às nossas comunidades tradicionais e povos indígenas que lutam pela preservação dos recursos naturais. Estes povos merecem todo o nosso respeito e atenção.

A responsabilidade de agir e da mudança é de todos nós. Repensar o nosso padrão de consumo adotando hábitos mais conscientes e que possam reduzir os impactos ao meio ambiente, clima e as pessoas.

Entendi as inúmeras oportunidades que temos pela frente com a devida integração da gestão e das diferentes esferas de poder. Precisamos estar preparados e organizados para captar recursos e executar com maior eficiência e gerando os resultados positivos necessários.

Portanto, saio das discussões que estamos tendo aqui mais ciente da necessidade da cooperação entre todos, governos, instituições e sociedade civil.

Alysson Bestene é secretário de Estado de Governo.

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