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O podcast Saúde é Pública, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, lançou recentemente uma nova minissérie dedicada ao Projeto MINA. Esse projeto de pesquisa epidemiológica investiga as condições de saúde e de nutrição de mães e crianças moradoras da cidade de Cruzeiro do Sul, no Acre. Trata-se de um estudo longitudinal que acompanha crianças nascidas no Hospital Estadual da Mulher e da Criança do Juruá, entre julho de 2015 e 2016, analisando os estilos de vida e saúde delas e de suas mães.

Serão três episódios dedicados a contar a história e alguns resultados do Projeto MINA – um acrônimo para “saúde e nutrição materno-infantil no Acre”. Entre os temas abordados estão amamentação, depressão materna, desenvolvimento infantil e anemia em gestantes e recém-nascidos.

“A anemia ainda é um problema de saúde pública materna no parto. Nós observamos no estudo MINA uma anemia de 40% nas parturientes e também na primeira infância, então 40% no primeiro ano de vida”, revela Marly Augusto Cardoso, professora do Departamento de Nutrição da FSP e coordenadora do projeto, que participa do primeiro episódio da minissérie.

Nesse episódio, Marly conta que o projeto de pesquisa teve início em 2015 e reúne pesquisadores da USP, da Universidade Federal do Acre e de Harvard. Periodicamente, os pesquisadores entram em contato com as famílias para acompanhar o desenvolvimento das crianças. Eles também procuram manter canais de diálogo permanente com as famílias por meio das redes sociais.

A escolha do local teve a ver com o fato de a região ser endêmica para malária. Em 2013, apenas dois anos antes do início do projeto, o município de Cruzeiro do Sul registrou sozinho 11% de todos os casos de malária no Brasil. A cidade, que tem cerca de 100 mil habitantes, abriga a maternidade que atende também outros oito municípios vizinhos.

Também participam do podcast a professora Alicia Matijasevich, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina (FM) da USP, e Paola Mosquera, aluna de doutorado da FSP, ambas integrantes da equipe do projeto MINA.

Um aspecto importante do projeto MINA abordado no primeiro episódio da minissérie se refere à situação do aleitamento materno-infantil. No estudo foi possível observar que apenas 37% das crianças foram amamentadas exclusivamente no primeiro mês de vida. O número caiu ainda mais, para somente 10% aos seis meses. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é que a amamentação seja fonte exclusiva de alimentação das crianças até os seis meses de idade. Apesar disso, algumas crianças acompanhadas pelo estudo tiveram prescrição de produtos lácteos pelos profissionais de saúde locais. Segundo Paola Mosquera, o consumo desses produtos está entre os principais fatores relacionados ao baixo índice de amamentação exclusiva observado na região.

“Realmente eu acho que os profissionais da saúde deveriam ter um treinamento contínuo para orientar melhor essas mães desde o início da gravidez, quando eles as assistem no pré-natal, na maternidade e posteriormente no puerpério, quando a amamentação é estabelecida”, opina a pesquisadora.

Outros fatores relacionados foram a falta de experiência das mães com a amamentação, o uso de chupeta na primeira semana de vida e a ocorrência de diarreia nos seis primeiros meses de vida das crianças, que nessa idade pode estar relacionada a um hábito difundido na região de utilizar chás para as cólicas dos bebês. Vale ressaltar que esse hábito não é respaldado pela ciência.

Paola Mosquera – Foto: Arquivo Pessoal
O podcast Saúde é Pública está disponível em diversos aplicativos, incluindo Spotify, Anchor e Youtube. Ouça a íntegra na sua plataforma preferida.

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