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Chuva e calor. Essa combinação promove o cenário perfeito para a proliferação do Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, Zika e Chikungunya. O biólogo Fabiano Carvalho, pesquisador da Fiocruz Minas, explica que as chuvas constantes podem alimentar possíveis criadouros, enquanto as temperaturas elevadas aceleram o metabolismo do mosquito.

“O ciclo reprodutivo, que em épocas mais frias do ano pode levar cerca de 15 dias para se completar, no verão, leva apenas oito dias. Ou seja, o calor reduz o tempo que o mosquito leva para se desenvolver e chegar à fase adulta. E, com as chuvas, as fêmeas têm mais facilidade para encontrar locais onde depositar seus ovos, pois a tendência é ter um aumento de lugares com acúmulo de água, que podem se transformar em criadouros”, explica.

Por isso, para evitar a proliferação do Aedes aegypti, vale a já conhecida recomendação: eliminar os criadouros. Segundo o pesquisador, cerca de 80% deles estão no ambiente doméstico e, portanto, a ajuda da população é fundamental. Como o ciclo reprodutivo leva oito dias, se a verificação dos possíveis criadouros for realizada uma vez por semana, é possível impedir que o mosquito chegue à fase adulta.

“É fundamental fazer um levantamento de todos os locais onde possa haver água parada, pois a fêmea distribui os ovos em vários recipientes. É a chamada “oviposição em saltos”, uma das estratégias de sobrevivência do mosquito”, destaca.

Entre as medidas a serem adotadas visando à eliminação de criadouros, estão: manter as caixas d’água bem fechadas; limpar e remover folhas das calhas; retirar água acumulada das lajes; desentupir ralos e mantê-los fechados ou com telas; manter vasos sanitários limpos e tampados; lavar vasilhas de animais com esponja ou bucha, sabão e água corrente; tampar a lata de lixo; evitar utilizar pratos nas plantas. Cada pessoa deve checar os possíveis criadouros existentes em sua residência e, com esse levantamento em mãos, será bem mais fácil e rápido fazer a vistoria semanal.

O pesquisador destaca que, devido à pandemia de Covid-19, as pessoas estão ouvindo falar menos sobre as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, criando a sensação de que elas não estejam ocorrendo. Entretanto, os boletins epidemiológicos dos estados mostram que os casos continuam acontecendo e, portanto, é preciso manter as medidas preventivas.

“O sistema de saúde já está sobrecarregado pela pandemia. Se, além da Covid-19, ainda tivermos um grande aumento de casos dessas outras doenças, ficará ainda mais complicado. Apenas uma vez por semana, com menos de dez minutos, dá pra fazer a vistoria e evitar a proliferação do mosquito”, afirma.

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